
Nascida em meio a uma crise econômica grave nos anos 1980, com desemprego em patamares altos e em plena ditadura militar, a CUT completa 43 anos nesta sexta-feira (28/08). Fundada em 28 de agosto de 1983, a Central surgiu em um período de intensa mobilização sindical, reunindo trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e regiões do país.
A criação da CUT também representou um desafio à legislação sindical vigente na época, que impunha restrições à organização conjunta de trabalhadores de diferentes categorias.
A entidade foi a primeira organização sindical de caráter intersindical e intercategorial criada no país após o golpe militar de 1964 e também a primeira Central Sindical brasileira construída a partir de um processo de organização pelas bases de trabalhadores.
Ao longo dessas mais de quatro décadas, a CUT teve atuação determinante nas lutas e conquistas de todos os principais direitos da Classe Trabalhadora como a política de valorização real do salário mínimo, o fortalecimento dos processos de negociação coletiva, a redução da jornada de trabalho para 44 horas nos anos 1980.
Além dessas, fazem parte da história da CUT diversas lutas por avanços nos direitos das mulheres, população negra, lutando pela igualdade racial e de gênero e a luta pela democracia, seja pelo fim da ditadura e eleições diretas (Diretas Já!) na primeira década, seja nos dias atuais contra os ataques da extrema direita.
Ao completar 43 anos, a CUT se mantém centrada nas principais demandas dos trabalhadores, como a recém conquistada isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, o fim da escala 6×1, a luta pelo fim da violência contra a mulher e a regulamentação de novas formas de trabalho, como aplicativos, por exemplo.
Nesse cenário, a CUT também projeta os próximos desafios da Classe Trabalhadora. Em mensagem sobre a data, o presidente nacional da Central, Sergio Nobre, destacou a importância das eleições e convocou Sindicatos, ramos, estaduais e militantes para a preparação do 15º Concut (15º Congresso Nacional da CUT), previsto para 2027.
“O Brasil vive, mais uma vez, um momento decisivo. Nas eleições, cada trabalhadora e cada trabalhador terá a oportunidade de ir às urnas e escolher quem realmente representa os seus interesses.”
Sergio Nobre defendeu a mobilização para a escolha de representantes comprometidos com a democracia e com os direitos sociais. “Vamos trabalhar para eleger representantes da Classe Trabalhadora comprometidos com a democracia, os direitos sociais e um Brasil mais justo e soberano.”
O presidente da CUT também convocou a militância e as entidades filiadas a iniciarem a preparação para o próximo congresso da Central, que deverá discutir estratégias e os caminhos da organização sindical.
“Desde já, convocamos nossa militância, nossos Sindicatos, ramos e estaduais a se prepararem para o 15º Congresso Nacional da CUT, o 15º Concut, que acontecerá em 2027. Vamos, juntos, renovar nossas estratégias e construir os novos caminhos da organização sindical.”
Na mensagem pelos 43 anos da CUT, Sergio Nobre ressaltou ainda a trajetória da Central e a perspectiva de continuidade da atuação sindical.
“A CUT chega aos 43 anos de história com muita garra, coragem e esperança. Aguerrida no presente e sempre preparada para o futuro”, afirma Sergio Nobre.
O surgimento de uma Central que faz parte da história do país
Ponto de partida – ‘A’ Conclat
A história começou com a 1ª Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora), em 1981, na Praia Grande, litoral de São Paulo, que reuniu mais de 5 mil trabalhadores e trabalhadoras de todas as regiões do país. Ao todo, 5.059 delegados participaram da fundação da CUT, representando 912 entidades, entre Sindicatos urbanos e rurais, associações pré-sindicais, associações de funcionários públicos, federações e entidades nacionais.
Os temas prioritários discutidos na Conclat, diziam respeito aos ataques aos direitos da Classe Trabalhadora, como o direito ao trabalho, sindicalismo, saúde e previdência social, políticas salarial, econômica, agrária e problemas nacionais. Porém, acima de tudo, a luta era pela reconquista da democracia, que era usurpada pelo regime militar – um período de em que a Classe Trabalhadora sofreu na pele todos os retrocessos e horrores da ditadura.
Como resultado da Conclat, foi criada a Comissão Nacional Pró-CUT que, dois anos depois, deu origem à Central Única dos Trabalhadores.
Fundação da CUT – ‘O’ Conclat
O 1º Conclat (Congresso Nacional da Classe Trabalhadora) foi realizado no galpão dos antigos estúdios cinematográficos Vera Cruz, em São Bernardo do Campo (SP). Foi naquele espaço que delegados e delegadas aprovaram a criação da nova central sindical.
Novamente, mais de cinco mil representantes de trabalhadores comparecem ao encontro.
Assim, após deliberaram sobre as pautas prioritárias de reivindicação da Classe Trabalhadora, no dia 28 de agosto de 1983, então, nasceu a CUT.
Contexto: a crise econômica e mobilização
A fundação da CUT ocorreu em meio a uma profunda crise econômica. O país enfrentava inflação elevada, recessão, aumento do desemprego e perda do poder de compra dos salários, além de uma dívida externa superior a US$ 100 bilhões.
Um mês antes da fundação da Central, trabalhadores e trabalhadoras realizaram uma greve geral em todo o país. Na indústria paulista, somente nos dois primeiros meses de 1983, cerca de 47 mil trabalhadores foram demitidos, número próximo ao total de dispensas registradas durante todo o ano anterior.
Além das dificuldades econômicas, o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. Nesse contexto, o congresso de fundação da CUT aprovou uma agenda de lutas que incluía o fim da Lei de Segurança Nacional e do regime militar, o combate ao desemprego, reajustes periódicos dos salários, reforma agrária, liberdade e autonomia sindical.
A defesa da cidadania e o combate ao autoritarismo também estavam entre as pautas da nova Central, em um período marcado pela repressão política e por restrições às liberdades democráticas.
Primeira direção
Para o primeiro ano de atuação, foi escolhida uma coordenação-geral liderada por Jair Meneguelli, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, atual Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que naquele período estava sob intervenção.
Em 1984, foi eleita a primeira direção da Central com chapa completa, tendo Meneguelli como primeiro presidente da CUT.
Organização presente em todo o país
Ao longo de 43 anos, a CUT ampliou sua presença e passou a reunir entidades de diferentes ramos da atividade econômica. Atualmente, a Central conta com 3.960 entidades filiadas, 7,9 milhões de associados e associadas e uma base de 25,8 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.
De caráter classista, autônomo e democrático, a CUT organiza trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, dos setores público e privado, ativos e inativos.
Entre seus princípios está a defesa da liberdade e da autonomia sindical, com independência em relação ao Estado, governos, empregadores, partidos políticos e instituições religiosas.
Desde sua fundação, a Central participa de mobilizações e debates relacionados às condições de trabalho, à defesa de direitos e às transformações políticas, econômicas e sociais do Brasil.
Ao completar 43 anos nesta sexta-feira (28), a CUT refoça sua atuação sindical por meio das entidades filiadas e da organização de trabalhadores e trabalhadoras em diferentes setores da economia brasileira.
Por Walber Pinto, com edição de André Accarini/CUT Brasil