
Em 26 de janeiro de 2006 nascia a DNB (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), um marco histórico na luta da Classe Trabalhadora que remonta os anos 1930, quando surgiram os primeiros Sindicatos de Bancários no Brasil e que trouxeram, como primeira conquista, a jornada diária de 6 horas.
As duas décadas que a Contraf-CUT comemora hoje, portanto, não são 20 dias e nem perto estão de serem somente duas décadas. Estão dentro de uma trajetória maior e que inclui outras importantes entidades que lhe antecederam, como o DNB (Departamento Nacional dos Bancários), responsável pela histórica greve nacional de 1985 e que levou cerca de 500 mil bancários e bancárias às ruas por melhores condições salariais.
Em 1992, o DNB foi transformado em CNB-CUT (Confederação Nacional dos Bancários), mesmo ano em que a categoria assinou a primeira CCT (Convenção Coletiva de Trabalho), se tornando a única a estabelecer os mesmos direitos para bancários e bancárias em todo o território nacional.
Em 2006, a CNB transformou-se em Contraf-CUT, com o objetivo de ampliar sua base de atuação. Em 2008, essa evolução foi ratificada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conferindo à entidade a legitimidade para representar trabalhadoras e trabalhadores de todo o ramo financeiro, e não apenas do setor bancário.
Durante todo esse período, a luta do movimento sindical proporcionou uma CCT robusta à categoria bancária, com direitos superiores às que são garantidas na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e que resultaram em sucessivos aumentos reais de salários, valorização dos pisos, PLR (Participação nos Lucros e Resultados), igualdade de oportunidades, combate ao assédio moral e sexual, capacitação de mulheres na área de tecnologia da informação e tantas outras conquistas que inspiram outras categorias na busca pelos mesmos direitos.
Vale destacar que, além de servir de modelo para as demais categoriais, a luta por melhores condições de trabalho e aumento real dos bancários impede que os donos do setor financeiro concentrem ainda mais recursos. Isso porque, segundo cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), cada 1% de ganho real que os Sindicatos negociam significa 200 mil novos empregos gerados e 0,15% de crescimento no PIB (Produto Interno Bruto) do nosso país.
Assim, os 20 anos que a Contraf-CUT comemora em 2026 são também 20 anos mantendo a responsabilidade de lutar ao lado das demais categorias, por entender que um país mais justo, democrático e solidário é um país com mais emprego e melhor remuneração para todos e todas, independentemente de gênero, cor e orientação. Um país onde o ser humano está no centro de todos os debates e, por essa razão, precisa ter um sistema financeiro justo, com mais crédito, e mais barato, para dar suporte ao desenvolvimento econômico e social.
É sob essa filosofia, que coloca pessoas em primeiro lugar, que a Contraf-CUT se prepara para enfrentar os desafios dos próximos 20 anos, sem jamais esquecer que para pensar o futuro é preciso reconhecer as lutas do passado que nos permitiu chegar até aqui.
Fonte: Contraf-CUT