
A Caixa Econômica Federal frustrou a expectativa das empregadas e empregados ao encerrar, nesta quarta-feira (19/08), em São Paulo, a sétima rodada de negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários 2026 sem apresentar uma nova proposta para o Saúde Caixa. O plano de saúde era o tema mais aguardado pela categoria, depois de a CEE (Comissão Executiva dos Empregados) rejeitar as propostas apresentadas pelo banco nas duas rodadas anteriores.
A expectativa aumentou ainda mais porque, antes da reunião, a própria Caixa havia enviado comunicado aos empregados indicando que a mesa trataria de possíveis soluções para o Saúde Caixa. Ao final, porém, nenhuma nova proposta foi apresentada. A previsão é de que o tema volte à mesa no dia 25.
“Existe uma expectativa enorme da base por uma proposta melhor, que mantenha o Saúde Caixa viável e sustentável e, ao mesmo tempo, permita que as pessoas permaneçam no plano. As duas últimas propostas transferem o aumento dos custos para os empregados. A Caixa alimentou a expectativa de que haveria avanço nesta reunião e encerrar a mesa sem proposta gera frustração e uma preocupação muito grande”, afirmou a coordenadora da CEE, Luiza Hansen.
A representação dos empregados continua cobrando uma solução que aumente a participação da Caixa no financiamento do plano e não transfira para trabalhadores, aposentados e pensionistas os sucessivos aumentos das despesas assistenciais. O atual Acordo limita a participação do banco a 70% das despesas ou a 6,5% da folha de pagamentos e proventos, prevalecendo o menor valor. Desde a primeira rodada da campanha, a CEE cobra que a Caixa aumente sua participação no custeio do Saúde Caixa.
PCDs e direito à desconexão
Na reunião, a Caixa apresentou propostas relacionadas às PCDs (pessoas com deficiência), entre elas a ampliação das possibilidades de ausências justificadas para cuidados com a própria saúde. O banco também propôs reforçar em acordo coletivo que o monitoramento de metas e resultados e as cobranças de trabalho não sejam realizados fora da jornada. A CEE considerou positivas as iniciativas, mas cobrou aperfeiçoamentos.
Para o representante da Fetrafi-RS, Lucas Cunha, a proposta para PCDs ainda não contempla pontos importantes da pauta. “É um avanço, mas ainda é tímido diante das nossas reivindicações. O teletrabalho precisa ser disponibilizado aos empregados PCDs em todas as áreas e unidades da Caixa, como medida de adaptação às necessidades desses trabalhadores. Também precisamos avançar na redução de jornada para os próprios empregados PCDs”, afirmou.
A representante da Fetec-CUT/CN, Joana Lustosa, cobrou que o direito à desconexão alcance todo o quadro de pessoal e não fique restrito ao bloqueio dos sistemas depois do registro do ponto. “Precisamos impedir que notificações do Outlook e do Teams continuem chegando aos fins de semana, feriados e períodos de descanso e acabar com cobranças por canais não institucionais, como o WhatsApp. Isso precisa virar uma cultura institucional de proteção à saúde mental, e não apenas uma cláusula no acordo”, disse.
Joana também cobrou o fim de controles paralelos de metas e a revisão de critérios do Alcance.Caixa que possam punir equipes em razão de denúncias de assédio. Para a representação sindical, vincular ocorrência dessa natureza à pontuação das unidades pode inibir denúncias e acabar penalizando a própria vítima e seus colegas.
A CEE voltou a cobrar em mesa que o Super Caixa seja negociado com a representação dos trabalhadores. Hoje o programa é feito pela Caixa, sem participação dos empregados. A proposta da representação dos empregados é o “Vendeu, Recebeu” e Bônus Caixa para todos.
Sobrecarga precisa ser enfrentada
O representante da Feeb-SP/MS, Tesifon Quevedo Neto, chamou atenção para a sobrecarga nas plataformas digitais da Caixa. Ele apresentou dados de unidades com milhares de atendimentos mensais e fortes diferenças na quantidade de clientes atendidos por empregado.
“Os números mostram equipes pequenas atendendo milhares de clientes por mês e uma diferença muito grande de carga entre as plataformas. Há situações com mais de 600 atendimentos por empregado. Isso é sobrecarga e precisa ser enfrentado pela Caixa”, afirmou Tesifon.
A CEE ressaltou que condições inadequadas de trabalho, sobrecarga e pressão por resultados tornaram-se uma realidade não apenas nas plataformas digitais, mas em toda a rede de agências (físicas e digitais), e que isso têm reflexos no adoecimento do quadro e, consequentemente, nos custos assistenciais do próprio Saúde Caixa.
Respostas não podem continuar sendo adiadas
Ao final da reunião, a CEE voltou a cobrar respostas para todas as demais reivindicações da minuta específica dos empregados da Caixa, entre elas as relacionadas ao PFG, PCS e PSI, fim do atendimento simultâneo presencial e digital, remuneração variável, Super Caixa, PLR Social, contratações, condições de trabalho e valorização da negociação permanente.
A pauta específica foi entregue à Caixa em 24 de junho, no mesmo dia em que o Comando Nacional dos Bancários entregou à Fenaban a pauta nacional da categoria. Também foi entregue à Fenaban uma proposta de pré-acordo que prevê a manutenção da data-base em 1º de setembro, a retroatividade do que vier a ser negociado e a continuidade das cláusulas atuais até a assinatura de um novo instrumento coletivo.
A preocupação é agravada pelo fim da ultratividade imposto pela Reforma Trabalhista de 2017. A alteração do artigo 614 da CLT passou a vedar expressamente que as normas coletivas continuem valendo automaticamente depois de encerrada sua vigência.
Na avaliação da representação sindical, o adiamento sucessivo de respostas pela Caixa e pela Fenaban, sem uma garantia de ultratividade, aumenta a pressão do calendário e pode ser usado para tentar empurrar a categoria para a aceitação de qualquer proposta diante da proximidade do fim dos acordos. A Contraf-CUT alerta que, sem essa proteção, o término da vigência dos instrumentos coletivos pode ser utilizado como mecanismo de pressão na negociação.
Por isso, a CEE reforça a convocação para que as empregadas e empregados da Caixa participem da paralisação de 24 horas desta quinta-feira (20), aprovada nas assembleias realizadas pelos sindicatos em todo o país. No conjunto da categoria, 90% aprovaram a paralisação.
A mobilização é fundamental para defender os direitos já conquistados e pressionar por propostas que atendam às reivindicações das empregadas e empregados da Caixa e da categoria bancária como um todo.
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Fonte: Contraf-CUT