Professores da UEL aprovam paralisação e indicativo de greve diante de defasagem salarial de 52%

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Durante Assembleia realizada na quarta-feira (25/02) pelo Sindiprol/Aduel, entidade que representa os docentes da UEL (Universidade Estadual de Londrina), foi aprovada a paralisação das atividades no dia 17 de março, além do indicativo de greve.

Este encaminhamento ocorre em meio a uma defasagem salarial acumulada de 52%, que assola todo o funcionalismo estadual.

Lorena Portes, professora Departamento de Serviço Social da UEL e presidenta Sindiprol/Aduel, explica que a defasagem salarial está acontecendo porque nos últimos nove anos não houve a reposição integral das perdas inflacionárias que pressupõe o pagamento da data-base para servidores estaduais.

“No governo Ratinho Júnior, não houve nenhum pagamento e nenhuma reposição das perdas inflacionárias. Ele veio pagando o parcelamento de uma dívida do governo anterior”, afirma.

A presidenta também salienta que o governo não apresentou nenhuma proposta para o pagamento do acúmulo da defasagem de 52%. “É importante dizer que nós não estamos solicitando um aumento salarial, mas sim reposição salarial, um direito do trabalhador e um direito constitucional”, ressalta Lorena.

A proposta de greve e paralisação foi levantada durante reunião do FES (Fórum das Entidades Sindicais), no último dia 17 de fevereiro.

“A partir dessa deliberação do FES e do Comando Sindical Docente, nós aprovamos na nossa assembleia e organizamos novas reuniões para as próximas semanas. Acontecerão assembleias nas sete universidades estaduais do Paraná, sendo o ponto central a paralisação do dia 17 e o indicativo de greve”, sinaliza.

“A categoria do Sindiprol/Aduel está sofrendo com arrocho salarial e está indignada. Ela quer respostas do governo para termos essa reposição e reparação”, reforça Lorena.

Ela também conta que a partir de agora o Sindicato se organizará para pensar na paralisação, esperando a mobilização e organização da categoria docente em um processo de luta coletiva.

Lorena ressalta que o indicativo de greve é um alerta para mostrar disposição em fazer um movimento paredista, caso o governo não apresente nenhuma proposta de pagamento da data-base e do acumulado da defasagem.

No dia 19 de março acontecerá uma nova assembleia para deliberar ou não a greve. “Lembrando também que a greve é sempre o último recurso que utilizamos, a partir do esgotamento das possibilidades de negociação, de reivindicações no campo jurídico e político”, pontua.

Em resposta, depois de muita espera, foi marcada para esta sexta-feira (27) uma reunião do Sindicato com a Casa Civil, com a SEFA (Secretaria da Fazenda) e com a SETI (Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior). Além de uma reunião para o dia 9 de março com o secretário Aldo Bona da SETI. “Nós esperamos que venham essas respostas, porque a categoria está ansiosa para atender às demandas históricas de defasagem”, compartilha Lorena.

Para os aposentados e aposentadas a situação é ainda mais complicada, principalmente, os que não têm paridade e integralidade, porque só há reajuste salarial se houver pagamento de data-base. “Isso mostra o completo desrespeito e negligência desse governo, que no momento em que o professor mais precisa de recursos para dar conta da sua sobrevivência, ele não tem um direito constitucional que é o pagamento da data-base”, aponta a liderança.

A docente destaca que as críticas sobre a greve devem ser endereçadas ao governo. “Quem está nos empurrando para uma greve é o governo, quando há não conversa e negociação. A greve é um direito constitucional, de mobilização e organização política e essas críticas devem ser ao governo Ratinho Júnior, que negligencia os direitos trabalhistas do funcionalismo público, em especial dos professores universitários”, acentua.

Por Clara Borbalan/Portal Verdade